Saudades

Posted by: Clodoilson

novembro 6th, 2008 >> Existencialista

Saudades do tempo em que eu nem a sentia, pois todos éramos tão juntos e o mundo era tão pequeno que não havia espaço nem tempo para se sentir saudades.

Meus amigos estavam sempre perto de mim, invadindo minha casa, minha intimidade, minha privacidade, tudo tão divertidamente desordenado que hoje me deixa saudades…

Minha família embora nem toda junta, sempre se juntava; eram ocasiões de ansiedade aquelas datas marcadas no calendário, estávamos sempre juntos quando olhávamos os álbuns de família, nesse tempo sentíamos mais fortemente um vínculo a nos unir, só hoje sei que nos unia porque a testemunha disso é a saudade…

Meu amor estava sempre diante dos meus olhos, aquela garota da escola, aquela menina da rua ou da outra rua, aquela amiga da amiga que por mais distante que estivesse jamais seria a mais de meia hora de um coletivo, tenho saudades de todos os meus amores, deles e de mim mesmo quando os amava, porque mesmo quando sofria, brilhava…

Tudo naquele tempo era motivo para poema, uma raiva, uma tristeza, um amor, uma alegria, uma desventura, um desabafo… ai que saudades da musa! Ah a musa, meu Deus! Por onde anda a musa?! Tantas saudades dela que sempre me visitava e praticamente me obrigava a vomitar tudo que tinha jogado dentro de mim, que tinha me inspirado, que tinha semeado em meu coração e, que ao final, sempre pedia de volta com algum lucro, sim, pois a musa é algo como que capitalista e só agora na saudade dela o percebo. Para a musa, quem não dá lucro não merece investimento, os avaros que não dividem seus dons, não os aplicam no próximo para que igualmente dêem frutos, esses logo ficam amargos ou completamente sem ela.

Mesmo assim a musa é sazonal, forçar a colheita dá maus frutos por aqui, melhor é esperar, pois quando chega, vem com ventos de inspiração, montada num novo amor, nova conquista, uma dor diferente ou simplesmente em cavalos abstratos e brancos como este que se chama saudade.

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