Aqui, parado assim, parece-me que o mundo agora se move, ouço os pássaros e o som que sai dos aparelhos de ar condicionado; as vozes juvenis me cercam por todos os lados e ouço tudo de uma vez, mas agora percebo que são muitos sons, não mais os percebo como a maçaroca sonora de antes. Aqui, parado assim, vejo as cores ao redor mudando de tom lentamente, vou me despedindo do sol e seu calor, ele ainda toca a copa das árvores, mas ninguém nota e, um ou dois percebem que estou escrevendo…
Desconsiderando a ilusão que o tempo causa, vejo a mim mesmo refletido em cada passo que ouço, e eu aqui saudoso de quando não ponderava sobre o que é saudade, sei que estes versos ainda serão escritos pela maioria deles, pelos que tiverem a chance.
Aqui, parado desse jeito, percebendo isto, sei que fugi da roda do tempo “por alguns instantes” , eu parei e o tempo parou, cada um de nós pensa ter o dom de enganá-lo. Agora, com ele assim parado, percebo o quanto estive inerte, envolvido na correria dos meus triviais afazeres e, aqui, parado assim, foi que me movi um pouco mais naquela direção cintilante que faz nossos olhos brilharem, aquele ponto em nossas consciências compartilhado pelo bondoso Criador, para que saibamos o que é ser, e para que sejamos eternos a cada instante.
Aqui, parado desta maneira, permaneço, ainda tenho algum tempo antes de começar tudo de novo, até que a sirene toque, até que consiga me movimentar novamente nesta direção indefinida em que falhamos ao descreve-la porque só pode ser sentida.
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